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Futuros Passados

  • Foto do escritor: Luana Dalmolin
    Luana Dalmolin
  • 4 de jul. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 22 de jul. de 2025

Sigo imaginando nossas vidas juntos.


No que comeríamos,

nas músicas que iríamos escolher,

nas trepadas homéricas,

na conchinha na hora do descanso.


Nas brigas,

no fazer as pazes,

nas garrafas de vinho que derrubaríamos,

nos saraus que organizaríamos,

nos quais receberíamos amigos e amigos de amigos no axé..


Nos banhos quentes de capim limão que tomaríamos.


Esse tal futuro do pretérito...

uma ação que ocorreria no futuro,

mas que está condicionada ao que não aconteceu,

ou que é incerto.


O que não foi, nem nunca será, como já disse o poeta.

Um futuro imaginário, eternamente atachado ao passado.

Trancafiado, Asfixiado.


Amor incerto esse que está umbilicalmente ligado ao passado e quase sempre nublado no futuro.

O que temos, então?

O presente.

Mas, afinal, não seria o presente o que temos de mais próximo ao real?


Queria mesmo era poder me lambuzar nas certezas

de um futuro do indicativo.

Num tempo que virá.

Ou melhor, num futuro do presente do indicativo.


— Olá, boa tarde?

— O que a senhora deseja?

— Regala-me um futuro do presente do indicativo, faz favor?



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