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O lobo

  • Foto do escritor: Luana Dalmolin
    Luana Dalmolin
  • 22 de jul. de 2025
  • 7 min de leitura

“Se você não comer, o outro come”. 


Assim sempre disse meu pai e meus tios. E assim sempre fizeram. Não importava o contexto. O que importava mesmo era foder. Assim aprendemos, eu e meus dois irmãos. Homem é lobo. E as mulheres, as ovelhas a serem arrebatadas. 

Minha vida gira em torno de sexo, hoje eu percebo isso com mais clareza. Meu lance na vida é transar, quanto mais e com quantas mais, melhor. Sou casado há 12 anos e isso nunca foi impeditivo para que eu comesse outras mulheres. Foram tantas histórias ao longo desses meus 44 anos que não caberia num breve conto.

Minha primeira vez foi aos 9 anos com uma menininha do bairro. Sim, aos 9. E de lá pra cá quantas mamadas sem fim recebi, quantas chupadas e estocadas fortes eu distribuí por aí. Até romance com puta eu tive. hahahahaha.

Preciso trepar, não me interessa com quem, nem onde. Esse é o mantra que guia a minha vida e norteia todas as minhas decisões tortas. 

Acontece que algo vem mudando a minha natureza. Uma paixão arrebatadora, um amor daqueles que não se explica, apenas se aceita. Estou vivendo essa fita há oito meses. 

A Luna é escritora e jornalista e dona de uma bunda, que meu irmão, só posso atribuir à Deus, nosso Senhor, tamanha perfeição. Baixinha, cintura fina, foi moldada pra mim, só pode.

Demorou um ano, desde que nos conhecemos, até transarmos, enfim. Foram cinco trepadas, nesse dia 9 de julho de 2024. Ela vestia uma meia preta arrastão por baixo do vestido e aqueles peitinhos saltitantes e livres. Porra, pirei! 

Nos encontramos duas vezes só naquela semana. O que era para ser mais uma foda casual, acabou virando um grande amor, do qual não consigo me livrar, por mais que eu tente.

Essa mina é tipo maconha, não sai da minha cabeça, mano! Ela bagunçou toda a minha vida. A gente vinha vivendo uma história de amor, dessas com direito a cinema, pipoca e sogra, até que minha mulher resolveu trazer tudo à tona!

Sim, ela já sabia do nosso caso há três meses, cara! Tentei negar, mas não tive saída, a Maria fez backup do meu celular, leu todas as mensagens durante a porra de três meses, meu irmão.

Também foi o que eu disse a ela: você parou de dar pra mim, queria o quê? É, mano, pode ser feio falar isso, mas é a pura verdade. Se tem uma culpa, ela é da Maria. Afinal, eu sou um lobo e lobo não passa fome. Esta é a minha natureza e ela sempre soube disso. Quando a gente começou a ficar eu era casado, depois tinha três namoradas, cara! Ela era uma delas. Era minha amante, na época. Veja só você, que fita!

Eu era casado com a Sabrina, uma amiga da Maria. E ela não quis nem saber, foi eu dar uma entrada e pronto, lá estava ela peladinha no meio do mato pagando um boquete pra mim!

A Sabrina tinha 20 anos a mais que eu e vivemos um amor louco, cheio de trepadas homéricas e regado a muitas drogas, pó, em especial.

Por falar em pó, estava limpo há uns anos já, desde que meu filho nasceu. O Antônio tem 10 anos e é uma luz na minha vida. Mas, voltando, fiquei tão louco longe da Luna, que até cheirar, eu cheirei de novo, cara!

Longe porque deu uma puta merda depois que a Maria descobriu tudo e resolveu cortar a parada. Propus de nos conhecermos, os três, achei que seria uma boa ideia. Um trisal, meu sonho! Mas a parada não desenrolou bem assim não…


O encontro da água com o fogo


Era um pré-Carnaval. Luna chegou de flores em punho, munida de glitter e batom vermelho. Maria era de fato apagada, sem luz. Exatamente como ela a imaginava. Faltava ali uma fagulha de vida. Francisco parecia estar pouco à vontade, mas fazia um esforço enorme para que daquele encontro pudesse brotar algo que se pudesse comer com as mãos.

Era nítido a forma como ele fazia de tudo para dividir as atenções. Tanto fez que tanto fez que acabaram se beijando, os três, em meio a um samba de roda.

Luna brilhava, atraía os olhares mais curiosos. 

É a sua mulher, cara?

É, sim, admitiu ele longe dos olhos de Maria.

Parabéns, ela é linda!


Francisco foi o tal naquela noite. Desfilou suas duas mulheres de mãos dadas. Foi quando as coisas começaram a entortar. Luna, entorpecida, não mediu as palavras quando Maria quis saber, afinal, qual era a natureza da relação entre ela e seu marido.


Somos namorados. 


Luna nunca soube bem como mentir. E essa era a porra da verdade! Será? Mas, essa reflexão fica para uma outra história, sobre o lugar que de fato Luna ocupa e sempre ocupou na vida de Francisco.

Dançaram, tomaram cachaça (muita!) e foram para a casa de Francisco e Maria, como era o combinado, desde a noite anterior. 

Lá, beberam mais um pouco, conversaram, cartas na mesa. Algumas meias verdades, como era de costume. E o que mais pegou Maria não foram as meias verdades, mas constatar ali que eram amantes.

Transaram, uma transa quente, sem frescuras, sem vergonha. Depois de algumas gozadas e trepadas, Francisco caiu então num sono profundo, feito um bebê.

Luna sugeriu dormir no quarto de Antônio para não atrapalhar o sono do casal. Mas, logo voltou só pra sala, no escuro, e ascendeu mais um cigarro.

Maria veio atrás e disse estar sem sono. E foi então que aconteceu algo que Francisco não planejava: as duas mulheres amanheceram ali na varanda regadas a vinho branco e muitas verdades. 


Três meses de amargura


Decidi que era a hora de acabar com aquela agonia. Ele vinha reclamando que a nossa vida sexual estava uma merda, sem graça, há muito tempo. Chorei por uma noite inteira. Sem graça? Eu mal tinha energia para ficar em pé. Me faltavam vitaminas essenciais e uma vontade de viver mesmo. Como é que eu teria energia para aguentar os impulsos sexuais insaciáveis dele? Me disse que sim, afinal, tinha ficado com alguém. Veja bem, “ficado”, como se tivesse sido algo pontual e, especialmente, motivado por minha falta de interesse sexual nele. Ou seja, no fim das contas, a culpa era minha. Não tive sequer energia para contradizê-lo, eu só queria a verdade, que ele enfim admitisse que estava tendo um caso há alguns meses já. Não sei ao certo quanto tempo eles estão juntos, só sei que há três meses, desde que fiz o backup do celular dele, Luna e Francisco estão vivendo um caso de amor. Amor. É isso que me dói. A traição em si não me importa. No fundo, sempre soube que ele me traía, mas desta vez, era diferente. Ele estava amando outra pessoa. E trepou com ela na minha frente dizendo que a amava. Isso me dói. Até nosso filho, a putinha conheceu.

E não fosse meu encontro com a Luna eu não ouviria da boca dele que os dois estavam namorando. Namorando, veja só! Cara de pau. 

Foi da boca da Luna que tive a confirmação da real, do que de fato estava acontecendo às minhas costas. Ele frequenta a casa dela, conhece a mãe da sujeita, vão ao cinema, enfim, namoram!

Transei sim com os dois, um tanto por raiva, um tanto por tesão. Fazia, afinal, muito tempo que eu não fazia uma bela suruba. Ah sim, confessei isso ao Francisco há pouco tempo. Já fiz e participei de algumas surubas em casamentos passados. Para ele, até então, eu só havia transado com três caras. hahahahahaha. Pode, isso?

Ele nunca soube quem eu sou de fato. Talvez esse tenha sido parte do meu erro neste casamento. Achei que eu era aquele objeto de desejo puritano. E que aquilo mantinha o nosso casamento em pé. Erro meu. Ele adorou saber em detalhes as minhas aventuras sexuais. Agora só me pede para falar nisso todas as vezes que nós transamos. 

Mas, voltando à Luna e ao Francisco. Depois de três meses amargando esse caso, chegou ali para mim o dia do ponto final. Ainda mais depois da conversa que tivemos somente eu e ela, enquanto Francisco dormia no quarto ao lado.

Assim como Francisco, a filha da puta achou que eu concordaria com uma espécie de trisal. Vão se fuder os dois filhos de uma puta! 

A-ca-bou para eles. Ponto final nesta historinha de amor cafona que eles vêm vivendo. Foi o que eu disse a ela: se eu não quiser essa história, ele te deixa no dia seguinte.

E foi exatamente isso que eu exigi: ou ele acabava com essa história e nunca mais via essa puta, ou eu iria embora com meu filho.

E assim foi. Afinal, Luna se esqueceu de uma verdade: água apaga fogo. 

Adeus, para nunca mais, sua puta!


Brincando de esconde, ou de volta ao começo


Luna chorou, brigou, até me bater, ela me bateu, cara! Mas, estamos, enfim, de volta ao começo da nossa história, que acaba de completar oito meses. Continuamos amantes. Não curto essa palavra, na real. Afinal, eu nunca tratei a Luna como amante, porra! Eu amo essa mulher, porra! Até no cinema levei, oras! Mas agora Luna deu para nos nomear assim: amantes. Ela diz que é importante dar o nome certo às coisas. Tá certo, que seja, então! Luna diz que na primeira oportunidade eu abri mão dela e escolhi minha família. Mano, é óbvio, né? Não tenho como viver sem a minha família, jamais prejudicaria meu filho de apenas dez anos em nome de um caso amoroso. Porra! Mas também não é verdade que abri mão dela, não. Só agora teremos que ser mais cautelosos, eu terei que ser ainda mais ninja para manter essa história às escondidas. Luna reclama, diz que não nasceu para se esconder, diz ser das águas, precisa desaguar, quer existir, mas fez uma puta cagada, caralho! Foi lá com o bocão dela falar pra minha mulher que éramos namorados. Pode isso, meu? Ela quis tanto que eu eu contasse a verdade pra minha mulher, me pressionou tanto, e olha aí no que deu: merda!

Ela, então, que se contente com esse lugar. É o que posso oferecer. Confesso que tenho medo que Luna acorde um dia e se vá para sempre. Tem dias em que ela parece distante, infeliz mesmo. Em outros tem estado agressiva. Mas, no fundo, eu sei que ela está presa neste amor violento que sentimos um pelo outro. Presa. Será que ela é isso para mim? Mais uma presa? Afinal, lobo sempre fui e sempre serei. Ou será que a Luna fala diretamente à  minha vaidade? Estou mais uma vez arriscando tudo para estar com essa mulher. Que amor cabuloso esse! Que fita, mano! Maria agora deu para me oferecer para outras mulheres. Ela acha que assim eu vou esquecer a Luna. Está jogando com as armas que ela têm, né? Família e sexo. Mas acontece que esse lobo aqui tem uma fome insaciável de Luna. Luna, Luna, Luna. Não me sai do pensamento. Veio feito vendaval e bagunçou tudo, tirou tudo fora do lugar. Deus é testemunha do quanto tentei sair fora dessa história, mas é impossível, mano! Luna vive em mim em todos os momentos. 

Penso que esse lobo talvez tenha finalmente encontrado uma loba. Casal de lobos selvagens construindo uma casa na Lua, onde tudo é permitido e possível.




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