Quem dança?
- Luana Dalmolin

- 22 de jul. de 2025
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Ela ganha a parada quando sabe que nada vai mudar. As noites - todas - são dela e tão somente dela. Os fins de semana são - quase exclusivamente todos - dela.
Ela sabe, mas diante da certeza de que tudo continua sendo exatamente da mesma forma, ela prefere deixar o barco seguir seu então curso previsível. No fim, é ela quem pensa governar.
Afinal, é a família. É o esteio, a mãe e a esposa.
E quanto à mim? Sigo sendo a sua eterna garota, a que não cresce nunca, se acomoda e faz caber na medida dos seus desejos.
Ela dança, eu danço.
Nós duas, meu bem, dançamos.
Uma coreografia não orquestrada por nós.
Fomos capturadas pela fantasia de que se não estamos no controle, ao menos, dividimos o manejo dos salões desse barco.
Mas acontece que esta embarcação aí tem um só capitão às avessas. E é ao rumo dele e, somente dele, a quem (des) governa esse barco, que ela obedece e segue destino sabe-se lá ao quê.

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