Sutura
- Luana Dalmolin

- 6 de mar. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: 8 de mar. de 2025

É numa quarta de cinzas que se deve suturar um coração partido.
Unir, religar as partes feridas. Romper com o que já é fim.
Dar um ponto final, é preciso, para deixar vir.
Preste muita atenção menina no vento brando que vem lhe soprar intuições de outrora, dos encantados seus. O oráculo diz para escutar as mensagens que chegam e para romper o que deve ser rompido, alimentar o que deve ser alimentado e não permitir nunca que nada nos escravize.
O que se quebrou já não lhe cabe mais. Junte os cacos e os jogue fora, sem dó, sem tentar uni-los, mais uma vez. Justamente como fez hoje com o porta-retratos que se desfez em mil pedaços.
Deixe ir.
E diz ainda o oráculo: "é hora de olhar para o seu ciclo de vida e curar aquilo que o fere, de dentro pra fora". Deixe as águas de Oxum e Iemanjá desaguarem sobre você. Banhar-se de vida, de movimento, do novo. Afinal, a vida presta, e muito.
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