
"Escrever é jornada de cura. É o mergulho em minhas águas mais profundas. É o tudo ou nada de mim"

A escrita sempre fez parte da minha vida, desde muito cedo. Estão aí os meus diários de mais de 30 anos para comprovar isso. Também fiz da escrita o meu ofício: sou jornalista. Mas a escrita da alma mesmo, essa só brotou aos quase quarenta anos. Ela invadiu-me e transbordou num momento de crise aguda, em que perdi momentaneamente a minha sanidade ao lidar com crises psicóticas frequentes. Foi graças a elas que as palavras começaram a ganhar novos contornos. De certa forma, foram justamente as crises e a dor que me fizeram escritora de mim. Voltei então, sem perceber, a escrever um diário e dessas linhas tortas nasceu “Olhos fechados, só se for para não tencionar bons ventos”. O livro é uma espécie de carta aberta a mim mesma e aos meus afetos. Dá medo escrever na dor porque o perigo é você se acostumar e atribuir à ela todo o seu processo de criação. Mas não fosse a escrita naquela momento sombrio, eu nem aqui estaria. Disso, eu tenho certeza. Mas foi então que com o passar dos meses e com a chegada de um amor arrebatador as palavras tomaram outra direção. Elas agora me traziam cores, cheiros e sabores. Escorriam. Puro deleite. Queriam falar de desejo, de amor e de angústias também, por que não? Brotaram, desta vez, da vida pulsante. Do que tenho de mais instintivo e primitivo. Assim, nasceu “Crônicas de um amor desmedido”, meu segundo livro, em menos de um ano. Percebo que a escrita está em mim, em todas as minhas nuances. Faz parte do meu eu mais profundo, traz à tona o tudo ou nada de mim. Me convoca à vida.
.jpg)
Afinal, quem sou eu?
Luana Dalmolin de Souza, embora nunca assine o de Souza, o que definitivamente aborrece meu pai, mesmo que ele negue. Jornalista que se descobriu escritora e psicanalista em formação. Publiquei em 2025 os livros “Olhos fechados, só se for para intencionar bons ventos”, sobre minha jornada na saúde mental, pela editora Toma Aí Um Poema (TAUP), e "Crônicas de um amor desmedido", pela Caravana Grupo Editorial. Crio colagens e telas, todas elas reunidas em meu perfil artístico "Com afeto," e no site Onírico: imagens do inconsciente.
Acabo de quarentar e me sinto confortável com a chegada deste novo ciclo. Taurina, ascendente em Escorpião, mistura de terra com água. Prezo pela lealdade, gosto da sensação de estabilidade e de relacionamentos duradouros, o que não impede que eu vire a mesa de um instante para o outro. Pura contradição, graças a Deus! Sofro de insatisfação crônica como uma personagem de Woody Allen, o que dá muito trabalho, mas me obriga a sair da zona de conforto. Tenho medo desta insatisfação que enche o peito, mas estou resignada que dela depende minha sobrevivência. Enxergo o mundo, o meu mundo, como uma busca eterna e, ingenuamente, sigo buscando até encontrar, até me encontrar.